5 passos para implementar a manutenção baseada na condição.
Como podemos implementar uma estratégia de manutenção baseada na condição em tempo real na nossa organização através de 5 passos simples.
O ARC Advisory Group realizou um estudo sobre a origem dos padrões de falha dos ativos para determinar que percentagem estava relacionada com o envelhecimento dos mesmos e que percentagem era aleatória devido a outras causas. Os resultados foram, no mínimo, surpreendentes:

Neste estudo, concluiu-se que apenas 18% das avarias que os ativos sofrem estão relacionadas com a passagem do tempo.
Isto significa que a manutenção preventiva só poderia chegar a prevenir 18% do total de avarias que os ativos sofrem. Por isso, também é possível concluir que, unicamente com a implementação de um programa de manutenção preventiva, é insuficiente para mitigar ou reduzir em grande quantidade o número de avarias.
A pergunta então é: como podemos detetar e prevenir os 82% restantes?
Os 82% restantes só podem ser diagnosticados e prevenidos mediante a implementação de estratégias complementares à manutenção preventiva, como são a manutenção baseada na condição (CBM, da sigla em inglês) e a manutenção preditiva.
Estas estratégias já foram “implementadas” há décadas no mundo da manutenção, ao realizar análises de vibrações, termografias, análises de óleo, etc.
Não obstante, hoje em dia é possível ir mais além graças ao aumento de instrumentação e às novas tecnologias 4.0, que permitem dispor de soluções que monitorizam e implementam estas estratégias de manutenção em tempo real.
No presente artigo, gostaria de explicar como podemos implementar uma estratégia de manutenção baseada na condição em tempo real na nossa organização através de 5 passos simples.
Se pretender informações acerca da manutenção baseada na condição, pode ler o artigo “Uma manutenção inteligente: Manutenção baseada na condição”
1. Comité multidisciplinar e especializado.
O primeiro passo para poder implementar uma estratégia de manutenção baseada na condição mediante tecnologias 4.0 é criar um comité formado por especialistas. Este comité será formado por pessoal tanto de operações como de manutenção e deverá contar com um conhecimento elevado acerca dos ativos da organização e da sua operação.
2. Determinar equipamentos e condições.
O comité, através do seu conhecimento acerca dos equipamentos e da operação dos mesmos, gerará uma lista de ativos a monitorizar devido à sua criticidade para os seus processos.
Para classificar os equipamentos com base na sua criticidade, uma boa prática é utilizar a mesma metodologia que a classificação do fator equipamento do índice RIME (se pretender mais informações do fator RIME, pode consultar “O que é o índice RIME ou ICGM na manutenção?”). A pontuação pode basear-se na seguinte tabela:

Não obstante, o comité pode decidir classificar os ativos com base em critérios internos da organização e segundo o seu conhecimento e experiência.
Depois de classificados os equipamentos segundo a sua criticidade, devem determinar-se as regras que, com base nas condições operativas dos equipamentos, gerarão ações de manutenção como consequência da sua ativação.
O recomendável é estabelecer essas regras para todos os equipamentos que se encontrem entre as classificações 7 e 10. No entanto, pode sempre iniciar-se com a classificação 10 e ir ampliando o número de ativos com essa estratégia de manutenção ao longo do tempo.
3. Determinar ações prescritivas.
Depois de definidas as diferentes condições operativas de um ativo que requerem uma atuação por parte da equipa de manutenção, é necessário definir a ação de manutenção (seja preventiva ou corretiva) a realizar.
Se não for possível definir a ação de manutenção que se deve realizar ao cumprir-se uma condição operativa, essa condição operativa não deve implementar-se até definir a sua solução.
As ações prescritivas de manutenção podem ser definidas inicialmente de forma genérica (ex.: rever o equipamento na seguinte paragem de produção) ou ser definidas de forma exaustiva, inclusive indicando o passo a passo da resolução da incidência.
4. Instrumentar equipamentos.
O seguinte passo a rever pelo comité de especialistas é se existe a necessidade de instrumentar com novos sensores os equipamentos nos quais se aplicará a estratégia de manutenção baseada na condição.
Muito provavelmente, já disporão de 90% (ou inclusive mais) dos sensores necessários instalados. No entanto, não é de estranhar nestes projetos que seja necessário realizar um investimento em nova sensorização.
5. Implementar software.
Por último, o comité de especialistas deve avaliar e selecionar o software a implementar. Para isso, é importante que o software escolhido seja de uso simples para que o utilizador possa criar as regras operativas dos ativos sem necessidade de conhecimentos de programação. Deve permitir ler dados de campo sem limitações, ser escalável e permitir a geração de regras multivariáveis.
Finalmente, a característica mais importante a avaliar do software é a sua capacidade de integração com o sistema GMAO. Logicamente, este deverá poder integrar-se com o nosso sistema GMAO para poder gerar automaticamente solicitações ou ordens de trabalho de manutenção quando uma condição operativa anómala suceda.
Para finalizar, é importante recalcar a necessidade de melhoria contínua do plano de manutenção baseada na condição. Para isso, deverá avaliar-se periodicamente se é necessário modificar alguma regra operativa ou se é necessário criar novas regras. Isto permitirá aumentar progressivamente a fiabilidade e a disponibilidade dos ativos, ao mesmo tempo que reduz custos.





