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A Internet das Pessoas

Big Data, Internet das Coisas, Open Data, M2M, SmartCities… todos estes são conceitos dos quais se fala diariamente longamente e detalhadamente. São áreas, ideias, paradigmas que se sobrepõem, a...

A Internet das Coisas e a Smart City

Big Data, Internet das Coisas, Open Data, M2M, SmartCities… todos estes são conceitos dos quais se fala diariamente longamente e detalhadamente. São áreas, ideias, paradigmas que se sobrepõem, apoiam, necessitam para se explicarem e para fazerem sentido.
A SmartCity nutre-se da Internet das Coisas, do M2M, do Open Data. O Open Data de M2M, Big Data e serve a SmartCity. O Big Data deveria ser na sua maior parte Open Data, já que procuramos em maior ou menor medida, o Open Government (vá, outro conceito) e, além disso, também recolhe dados da Internet das Coisas.

A Internet das Coisas… Este é o conceito que provavelmente provocará a maior revolução desde o aparecimento do sistema binário e dos computadores. A tecnologia que dará uma nova dimensão e um desenvolvimento infinito a todos os outros conceitos (o Big Data passará a chamar-se Big2Data?)

O IPv6 já o temos aqui há algum tempo e pode dar nome único a qualquer objeto, exatamente a 340.282.366.920.938.463.463.374.607.431.768.211.456. Já, já, isto é o “fácil”? Mas também o imprescindível! Recorde-se que nomear é dar uma identidade (nada mais e nada menos) e, portanto, gerar uma nova fonte de informação da qual também conhecemos a origem.

Então, onde está o problema? Por que é que ainda não se produziu essa nova revolução digital? Pouco a pouco. As revoluções são rápidas, mas o caminho até que se deem as condições necessárias para que se desencadeiem pode ser lento, muito lento.

Em que ponto estamos do caminho é algo que já sabemos, o momento do desencadeante é algo que só intuímos.

Um dos pontos críticos é dotar a Internet das Coisas de um sistema eficiente quanto ao abastecimento de energia dos sensores e antenas. É todo um problema a alimentação energética de cada um dos sensores e o número de repetidores necessários para cobrir toda uma área, que, no fim de contas, é toda a superfície existente. Se os sensores se alimentam com baterias tradicionais num ambiente não adaptado ao novo conceito de Internet de “todas as coisas”, é preciso mudar essas baterias com uma alta frequência e, portanto, não seria um sistema escalável. Imaginem o exército de operários necessários só para esta tarefa. O mais provável é que metade dos sensores acabassem desabastecidos, quer por problemas de mão de obra, por imprecisões na organização, por cortes de orçamento… recordemos que o sensor é a base do sistema, o que dá nome ao objeto, o que emite a informação.

Mas isto também não é um problema, nós temos uma solução! A resolução de problemas técnicos, a maioria das vezes, é quantificável em tempo e em orçamento, duas variáveis que se influenciam mutuamente de forma inversa. Então, o que falta para o tão esperado desencadeante? No passado dia 10 de junho, celebrou-se em Madrid a primeira edição do startup4Cities. Este foi o seu “Claim”, o qual podem ler ainda na sua página Web:

“Se desenvolveu uma ideia inovadora para melhorar a sua cidade e gostaria de experimentá-la num cenário real, esta é a sua oportunidade. Representantes de mais de 50 municípios espanhóis ouvirão a sua proposta, avaliá-la-ão e, se se interessarem por ela, oferecer-lhe-ão as suas cidades como laboratório urbano. Há um prémio melhor? PARTICIPE!”

Não é toda uma declaração de intenções? “PARTICIPE!”, diz ao finalizar, “nós pomos a cidade como laboratório”. Cada vez mais se recorre mais ao conceito de startup, entendido tal qual se entende em Sillicon Valley: método lean, produtos mínimos viáveis, ideias frescas de equipas com iniciativa, sacrifício, talento e muita paixão. É nos projetos de pessoas como as que se apresentaram a este evento onde se há de dar o desencadeante da nova revolução digital da Internet das Coisas. Pode ser que não o seja a partir de um só projeto, mas a soma deles tornará visível algo que ainda não o é. Há que ter em conta que este tipo de projetos estão focados diretamente em solucionar um problema concreto do cidadão. Um problema que o cidadão reconhece como seu em primeira pessoa e que, além disso, a solução para esse problema se lhe apresenta, em geral, embalada numa estupenda e gratuita App muito gratificante e simples de usar desde o seu smartphone, a chave da sua SmartCity.

E é que não há que esquecer que as pessoas são as que catalisam a mudança, por isso “A Internet das Coisas” será “A Internet das Pessoas”