A evolução da telegestão e a revolução da IoT nas grandes infraestruturas e obras civis.
A tendência dos últimos anos indica que a digitalização de uma instalação ou obra é cada vez mais encarada como uma mais-valia do que como uma despesa necessária. Como evoluiu?
Já é sabido que a relação do mundo virtual com o mundo físico (pessoas, cidades, natureza) está a gerar mudanças a todos os níveis da sociedade. No mundo da automatização e controlo de instalações e obras civis, estes novos paradigmas também estão a produzir uma grande mudança.
Este facto está a causar algum nervosismo, uma vez que, até este momento, a engenharia civil clássica raramente necessitava de estratégias e sinergias comuns com os departamentos de controlo ou com o uso sistemático de sistemas de monitorização.
A tendência dos últimos anos indica que a digitalização de uma instalação ou obra é cada vez mais encarada como uma mais-valia do que como uma despesa necessária. Dentro de um projeto deste tipo, a parte dedicada à automatização e controlo não é das mais elevadas. Mesmo assim, o cliente habitual também aprendeu e conhece o retorno que tem: adquirir a informação necessária, dispor de controlo remoto, implementar sistemas redundantes e ciberseguros, etc.
Isto implicou um grave problema para as engenharias do nosso país, uma vez que, por ser um serviço ao qual não estavam habituadas, se encontraram em situações onde esta pequena parte do projeto causou atrasos e despesas não planeadas que geraram um ruído excessivo, e não tendo sido cumpridas as expectativas do cliente final.
É por isso que as grandes engenharias do nosso país tiveram de evoluir e atualizar-se para poderem competir, não só entre elas, mas também com os integradores de sistemas que lhes levam anos de experiência neste setor. Qualquer engenharia que visitamos – que há anos se dedicava quase em exclusivo à obra e instalação – está a ampliar o seu departamento de sistemas e automatização na medida do possível.

Todos temos consciência de que tempo é dinheiro, qualquer atraso na entrega da obra final, seja qual for o motivo, vai acarretar um custo adicional. Assim, a partir da telegestão, deve trabalhar-se de tal forma que se possam otimizar os tempos de desenvolvimento e instalação.
Desde a Logitek, implementámos uma metodologia de integração do Hardware inspirada na programação orientada a objetos que leva anos a funcionar no desenvolvimento de software. Trabalhando desta forma, consegue-se estabelecer um padrão de desenvolvimento e instalação onde se criam famílias de instrumentação ou subsistemas (HVAC, vigilância, gestão energética, elementos de rede, etc.), conseguindo-se, entre outras coisas:
- Reutilizar o código de programação para otimizar e minimizar o tempo de desenvolvimento.
- Objetivar as instalações a montante, de tal forma que, se o SCADA superior trabalhar seguindo uma filosofia de desenvolvimento orientada a objetos (como faz a Wonderware System Platform), adicionar uma instalação é tão simples como criar um objeto que contenha os padrões de instrumentação ou subsistemas ‘mãe’ já criados. Desta forma, homogeneíza-se a sua caracterização e a configuração das comunicações com o controlador.
- Marcar a instalação, ao trabalhar desta forma, pode gerar-se um procedimento para o instalador elétrico sobre como deve ser cablada a instrumentação, o que lhe permite ser autónomo, mas, ao mesmo tempo, poder seguir um guia para não se enganar.
- Ser hardware agnóstico, ao caracterizar os elementos da instalação, é indiferente que marca ou modelo de ativo se está a controlar ou a supervisionar, uma vez que a informação que será servida deste a montante será a mesma.

Não há que esquecer, além disso, as possibilidades de melhoria na manutenção. A escolha dos equipamentos adequados juntamente com uma forma de desenvolvimento que o tenha em conta previamente, facilita-o a diversos níveis:
- Ter dispositivos com uma vida útil maior do que a amortização do projeto,
- Evitar deslocamentos em caso de mau funcionamento – assegurando sempre a ligação remota de uma forma cibersegura –.
- Em caso de necessidade, que possa ser o próprio operário e não a equipa de engenharia quem interopere com o controlador para solucionar a incidência.
Continuar a evoluir na otimização destes projetos é prioritário. A irrupção de novas tecnologias e paradigmas, somado a uma carteira de clientes mais consciencializados e conhecedores das possibilidades existentes, abre um grande leque de possibilidades e novos projetos. Não falamos já dos clássicos e necessários projetos de processamento e distribuição de águas, oil&gas ou energias, mas também de controlo de infraestruturas muito críticas – túneis, por exemplo –, supervisão geotécnica ou o crescente ambiente do Green building, entre outros.
Dando um exemplo concreto, desde 18 de dezembro de 2018, em Espanha, qualquer projeto construtivo de edificação com financiamento público exigirá o uso da metodologia BIM (Business Information Modelling).
Ainda que estes processos e modelos até há pouco ficassem numa ‘simples’ representação 3D de uma localização e para modelar uma instalação durante a sua fase de desenvolvimento e construção, com a elevada informação contextualizada que dispomos na atualidade, avançar-se-á em grande medida para uma contínua e progressiva melhoria dos projetos de gestão de instalações inteligentes. Como assegurar o fornecimento desses dados de uma forma correta, contínua, segura e fiável será parte do desafio que se tem de enfrentar.
O nosso post sobre Facility Management no Blog da Logitek ser-lhe-á muito útil para completar a informação deste.
Aceda aqui ao documento de serviços para engenharias da divisão M2M da Logitek





