Select Page

“Desafios de uma governação aberta e inovação urbana” Resumo do debate.

Intervêm: Minerva Tantoco – CTO – Nova Iorque Aníbal Gaviria – Presidente da Câmara – Cidade de Medellín – Colômbia Rob Bernard – Diretor de Estratégia Ambien...

governance_Smart_City_Expo

Intervêm:

Minerva Tantoco – CTO – Nova Iorque

Aníbal Gaviria – Presidente da Câmara – Cidade de Medellín – Colômbia

Rob Bernard – Diretor de Estratégia Ambiental e de Cidades – Microsoft Corporation – Seattle – EUA

Mark Kleinman – Diretor de Política Económica e Empresarial – Greater London Authority – Londres – Reino Unido

Charbel Aoun – Presidente, Segmento de Cidades Inteligentes – Schneider Electric – Londres – Reino Unido

Modera:

Stephen Goldsmith – Diretor, Programa de Inovações no Governo Americano e Soluções de Cidades Data-Smart – Harvard Kennedy School of Government – Cambridge – EUA

Aqui ficam as notas mais importantes desta apresentação sobre governação e inovação:

Aníbal-Gaviria

Aníbal Gaviria – Medellín

O presidente da câmara de Medellín baseou a sua intervenção em destacar as principais iniciativas da sua cidade relacionadas com a governação aberta:

  • Jornadas de vida e equidade: Realizam-se nos diferentes bairros ou comunidades e consistem em criar projetos individualizados para cada comunidade, colaborando previamente com eles e integrando-os em todo o processo.
  • Mi Medellín: Uma ferramenta online que permite a comunicação escrita entre a população e a câmara municipal com vista a resolver diversos problemas.
  • Urbanismo pedagógico: participação dos cidadãos nos territórios a intervencionar, tanto na conceção das intervenções como na sua implementação e manutenção.
  • Huecosmed: através do telefone, os cidadãos podem enviar uma fotografia de qualquer dano urbano, indicando a sua localização à secretaria da câmara municipal para que, a partir daí, seja ativada a ordem para que seja reparado em menos de dois dias.
  • Segurança online: Os cidadãos podem denunciar online anonimamente a prática de um crime para que, deste modo, não corram o risco de serem retaliados. É uma forma de aproximar o cidadão da justiça.
  • Os cidadãos podem obter todas as informações de forma geolocalizada, em tempo real, sobre o estado de uma obra pública e das suas características (custo, prazos de execução, etc.).

Termina a sua intervenção destacando que “para exercer e estruturar a liderança na governação, primeiro que tudo é preciso educar a população nessa cultura, na cultura de propor.

minerva_NYC

Minerva Tantoco – NYC

Começa por explicar a problemática concreta de NYC em termos de governação, que reside em coordenar as 60 agências ou departamentos independentes que intervêm na gestão da cidade.

Qual é o papel como diretora de tecnologia da cidade?

A necessidade de um plano comum que una todos os organismos com planeamento estratégico de tecnologia, coordená-la para poder transmiti-la a toda a equipa, com o objetivo principal de que todos remam na mesma direção.

O objetivo principal é que a cidade seja igualitária e, para que esse equilíbrio seja possível, a tecnologia é a chave do processo.

Outro aspeto destacável é que “É preciso trabalhar como num modelo de CRM. O cidadão é um cliente e, como tal, deve ser tratado. É prioritário que possa ter centralizado num único canal todos os acessos às suas necessidades.

Termina a sua intervenção expressando a ideia de que “a tecnologia é mais fácil do que a mudança cultural, estamos na superfície no início da mudança”.

Mark-Kleinman

Mark Kleinman – Londres

Depois de ouvir as primeiras intervenções, destaca a ideia de que as grandes cidades se copiam, e devem copiar-se, e isso é algo positivo.

Continua a detalhar os pormenores do Plano Smart de Londres com vista ao ano de 2050: Primeiro, foi criado um conselho de delegados que unia pessoas de todas as esferas da sociedade (professores universitários, cientistas, educadores, técnicos, líderes de Start up, representantes da cultura) para aconselhar o presidente da câmara e a sua equipa. Foram analisadas as infraestruturas e foi traçado um plano, mas foi analisado em todos os campos: água, transporte, luz, etc., quantificando absolutamente tudo.

Conta-nos que Londres cresce ao ritmo de 100.000 pessoas, gerando também 30.000 empregos anualmente. Isto pode representar um problema que é preciso enfrentar do modo mais “smart” possível para que seja sustentável em todos os sentidos.

O outro pilar fundamental para traçar este plano é a conversa com o cidadão. O diálogo com o cidadão passa a fazer parte do núcleo da estratégia. Este diálogo entre o cidadão e o governo continua a ser muito tradicional e impõe-se uma maior inovação. Tentam-se fazer projetos a menor escala para depois reproduzi-los a maior escala.

Outro aspeto notável é o grande boom das startups que se instalaram na cidade. A forma de tratar este facto foi primeiro deixar que tentem trabalhar livremente para depois ouvi-los e dar-lhes soluções: Melhor espaço, melhor banda larga, alugueres mais económicos. “As novas ideias, por vezes, produzem-se em edifícios antigos e isso é preciso resolvê-lo de uma forma aberta”.

Rob-bernard

Rob Bernard – Seattle

Desenvolve a sua intervenção em torno de uma série de perguntas:

Como resolver a sustentabilidade no mundo? A resposta é que, primeiro que tudo, deve ser resolvida no contexto das cidades, uma vez que toda a problemática se desenvolve a partir do seu crescimento.

Que soluções pode oferecer a Microsoft? Através de parceiros locais que possam ter uma relação mais próxima com a cidade para poderem envolver-se melhor com o ambiente.

A Microsoft, devido ao seu alcance e implementação global, pode detetar grande capacidade de inovação em sítios pequenos que posteriormente pode ser replicada a grande escala.

Como criamos o modelo escalável e replicável? O modo de trabalhar é sempre o mesmo, a Microsoft trabalha para canalizar toda a informação entre todas as áreas de atuação numa cidade e todos os agentes intervenientes. Esse modelo pode sempre ser escalável.

Para finalizar, expressou que a inovação tecnológica é a encarregada de romper as barreiras entre os distintos silos estanques das cidades e é a chave para trabalhar numa abordagem transversal e horizontal.

schneider_logo

Charbel Aoun – Schneider Electric

Em primeiro lugar, expôs as suas ideias mediante a explicação de diversos exemplos implementados na cidade de Barcelona: a governação em aberto é dar poder às pessoas, as ideias que emanam dos cidadãos são interessantes e, em Barcelona, colocou-o em prática com diversas aplicações como, por exemplo, a do transporte público. Assinala a necessidade de uma plataforma de agregação de dados para conectar as áreas da cidade.

Também destaca a mudança na forma de trabalhar através de um modelo mais colaborativo que inclua os Open Data: Por exemplo, reúnem-se com PMEs da localidade e trabalham com eles para saber como proceder, trabalha-se de um modo transversal.

O desafio de passar para um modelo transversal é quanto vai custar a transformação, que dados extrair e como geri-los. Os dados abertos são recolhidos, mas é preciso analisá-los e filtrá-los. É preciso converter esses dados em valor e isso tem um custo tecnológico. Já foi feito na indústria automóvel ou no setor financeiro, mas manifesta a necessidade de que as cidades estejam preparadas e tenham uns alicerces sólidos para poderem implementar esse modelo de trabalho e de gestão. De outra forma, não será possível.

Outro aspeto é que esta liderança no processo de mudança seja exercida desde a parte mais alta das instituições (como se fez desde Medellín), só assim se conseguirá integrar e contagiar todos os agentes intervenientes no processo.

Termina a sua intervenção afirmando, em referência à governação aberta, que “para completar um puzzle precisamos de uma fotografia completa do mesmo como referência e, para isso, é necessário que previamente as cidades ofereçam uma fotografia precisa do que necessitam e se defina com clareza o que se quer”.