Disaster Recovery ao nível da fábrica? Para quê?
Entre as soluções que permitem recuperar facilmente perante um desastre (ou seja, adotar estratégias de Disaster Recovery), podemos mencionar as seguintes:
Comecemos por definir em que consiste o Disaster Recovery.
Muitas são as definições existentes de “Disaster Recovery” ou da sua tradução para português: “Recuperação de Desastres” e todas elas estão estreitamente relacionadas com o mundo da informática (esse outro “mundo” que nos leva a dianteira no que toca a estratégias de recuperação), entre elas encontramos:
A recuperação de desastres:
“…É parte de um plano maior de Continuidade de Negócios que inclui os processos e soluções com vista a restaurar aplicações críticas, informação, hardware, comunicações e redes e outras infraestruturas próprias de sistemas de informação e tecnologia”
Fonte: www.neverofftechnology.com
“O Disaster Recovery Institute International (DRII) afirma que a recuperação de desastres é a área da continuidade do negócio que se ocupa da recuperação da tecnologia em vez da recuperação das operações comerciais”
Fonte: blog.celingest.com
“Disaster Recovery é a área do planeamento de segurança que se encarrega de proteger uma empresa dos efeitos de distintos eventos negativos…”
Fonte: whatis.techtarget.com
Poderíamos pensar que o Disaster Recovery é só aplicável aos sistemas informáticos ao nível de aplicações de negócio e escritório (em outras palavras, à ofimática e informática tal como a conhecemos), mas não é assim. Desta última definição, que tecnologias podemos mencionar no nosso “mundo” industrial? Entre elas encontramos: os PLCs, os HMIS, os SCADAs, os variadores, os robots, etc.
As tecnologias de aquisição e transferência de dados avançaram tanto nos últimos 20 anos que agora é muito improvável que um computador não faça parte de um processo de fabrico. Além disso, os distintos dispositivos de controlo (PLCs, DCS, variadores) estão todos interconectados e isto deve-se, entre outros, à necessidade de recolher mais dados para tomar melhores decisões.
Tal como indica a frase “não se pode controlar o que não se pode medir”, já não é um segredo para ninguém que as decisões corporativas se apoiam cada vez mais em dados.

Imagem de D.Fletcher
Como aplicar estas estratégias de recuperação num ambiente industrial?
Existem tecnologias para isso? A resposta é sim. Várias destas tecnologias e soluções estão orientadas para garantir os mínimos tempos de inatividade não programados e aumentar a nossa produtividade (e todos esses KPIs que depois analisarão os que tomam decisões em “quadros de mando” ou “dashboards”).
Entre as soluções que permitem recuperar facilmente perante um desastre (ou seja, adotar estratégias de Disaster Recovery), podemos mencionar as seguintes:
- Redes de comunicação redundantes.
- Software SCADA com possibilidades de redundância ao nível da aplicação, de históricos e de visualização.
- Software para criar cópias de segurança e histórico de versões dos programas de dispositivos industriais (PLCs, SCADAs, HMIs), de tal forma que, se se estragar, por exemplo, um PLC, possamos recuperar a última cópia boa conhecida, já que está armazenada num servidor. Desta forma, só teremos de conectar o novo hardware e descarregar o programa.
- Soluções de hardware e software para que os vossos servidores de aplicações sejam tolerantes a falhas, o que vos permitirá que os sistemas continuem a funcionar, ainda que ocorra uma falha de hardware, por exemplo.
- Terminais de visualização baseadas em “zero clients”, o que vos permitirá, por exemplo, substituir um terminal de operação em menos de 5 minutos.
Estas soluções estão orientadas para facilitar as operações ao nível da fábrica e não requerem conhecimentos avançados de informática.
Se alguma das seguintes situações vos for familiar, creio que é um bom momento para ponderar alguma estratégia do que me atreveria a chamar: Industrial Disaster Recovery:
- Não sei onde está a última cópia do programa do(s) PLC(s) principal(ais). Se um falhar, não sei quanto tempo demoraria a recuperar o sistema.
- Um PC da rede foi infetado com um vírus que se propagou por toda a fábrica, tivemos de parar a produção. Não foi fácil recuperar.
- O servidor que aloja a base de dados que guarda os dados de rastreabilidade teve uma falha no disco rígido, perdemos informação muito importante durante todo o tempo que demorámos a recuperar.
Poderia citar mais alguns cenários, ainda que tenha a certeza de que, neste preciso instante, vos estão a ocorrer muitos mais…





