Infraestruturas críticas que caem em cascata: Centro de controlo aéreo de Swanwick
Analisamos o caso do Centro de controlo aéreo de Swanwick: infraestruturas críticas que caem em cascata. O que aconteceu exatamente?
No dia 12 de dezembro de 2014, diferentes meios de comunicação fizeram eco da falha ocorrida no centro de controlo aéreo de Swanwick, a sul de Londres, que afetou milhares de voos no Reino Unido e causou atrasos e cancelamentos durante vários dias.
O que aconteceu exatamente?
Uma falha no fornecimento elétrico afetou o Sistema Nacional de Controlo de Tráfego Aéreo (NATS). Ou seja, a organização que gere o sistema de informação que fornece aos controladores aéreos a informação de cada voo.
A não disponibilidade do sistema obrigou os controladores a realizar a sua atualização de forma manual nos aeroportos londrinos. O problema não só deixou inoperativo o sistema principal, como também os de emergência.
O anúncio da incidência foi tornado oficial pela Eurocontrol, o organismo de segurança aérea europeu, às 3:30, hora local (4:30 em Espanha). A essas horas, o espaço aéreo de Londres ficou praticamente fechado por não ser possível sequenciar as aterragens.
O que é o efeito cascata e como afeta as infraestruturas críticas?
Uma infraestrutura crítica, como é um centro de controlo aéreo, é aquela cujo funcionamento é indispensável e não permite soluções alternativas, pelo que a sua perturbação ou destruição tem um grave impacto sobre os serviços essenciais. Estas infraestruturas caracterizam-se por:
- Ter adotado um alto nível de automatização para a sua operação e/ou controlo.
- Estar expostas a um elevado número e tipos de ameaças.
- Estar, na maior parte dos casos, distribuídas geograficamente, inclusive em diferentes nações.
- Existir uma grande interrelação entre todas elas. Ou seja, como vimos, a falha no fornecimento elétrico ao sistema produziu a sua queda, gerando o caos nos aeroportos londrinos. Este tipo de dependências é o que se conhece como efeito cascata, que afeta de forma específica as infraestruturas críticas.
Que tipo de tecnologia foi implementado no NATS?
A organização NATS está a utilizar atualmente uma plataforma baseada em cloud computing com Citrix Desktop e XenApp, além de outras ferramentas de virtualização. No entanto, estes sistemas não foram relacionados com tal queda.
Que consequências teve a queda do sistema?
- O problema forçou o fecho parcial do espaço aéreo londrino.
- Nos aeroportos de Gatwick, Luton, Heathrow e Stanstead, as descolagens também foram temporariamente suspensas como medida de precaução.
- O quinto aeroporto de Londres, o City, o mais próximo da cidade, suspendeu basicamente a atividade nas suas pistas por um período de duas horas.
- Em Leeds, todos os voos ficaram suspensos durante três horas. Bristol, Southampton e Oxford foram inicialmente os mais afetados.
- Os efeitos fizeram-se sentir inclusive nos aeroportos escoceses de Edimburgo e Aberdeen.
O que está a ser feito em Espanha para tentar evitar este tipo de problemas?
Em Espanha, a Lei de Proteção de Infraestruturas Críticas (Lei PIC 8/2011), complementada pelo Decreto Real 704/2011, tem dois grandes objetivos:
- Os de catalogar o conjunto de infraestruturas que prestam serviços essenciais à nossa sociedade.
- Conceber um planeamento que contenha medidas de prevenção e proteção eficazes contra as possíveis ameaças a tais infraestruturas, tanto no plano da segurança física como no da segurança das tecnologias da informação e das comunicações.
Dentro deste planeamento, os Planos de Segurança do Operador (PSO) obrigam as organizações que gerem infraestruturas catalogadas como críticas a realizar uma avaliação quantitativa do risco, na qual se deve incluir uma modelação das dependências existentes entre as diferentes infraestruturas críticas.
Para mais informações sobre a Lei PIC, pode visitar esta ligação.





