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O Futuro da sustentabilidade urbana – resumo do debate

O segundo plenário sobre as cidades do futuro, realizado na Smart City Expo 2013, contou com a participação de: Larry lye Hock – Diretor de Design Urbano – Autoridade de Requalificaçã...

O Futuro da sustentabilidade urbana

O segundo plenário sobre as cidades do futuro, realizado na Smart City Expo 2013, contou com a participação de:

  • Larry lye Hock – Diretor de Design Urbano – Autoridade de Requalificação Urbana – Singapura.
  • Sam adams – Diretor Executivo – City Club of Portland – Portland – EUA.
  • Amitabh Kant – CEO & Diretor-Geral – Delhi Mumbai Industrial Corridor Development Corporation – Nova Deli – Índia.
  • Sylvie Spalmacin-Roma – Vice-Presidente, Smarter Cities, Europa – IBM – Paris – França
  • Nicholas Brooke – Presidente – Hong Kong Science & Technology Parks Corporation – Hong Kong – Hong Kong.
  • Antonio Alfonso Avelló – Diretor do Departamento Internacional – FCC Environmental Services – Madrid – Espanha

E foi moderado por: Cristiana Fragola – Diretora Regional, Europa – C40 – Milão – Itália

Deixamos-lhe algumas notas sobre o futuro da sustentabilidade urbana a partir do debate que se gerou neste plenário.

Introdução de cada orador:

Larry lye Hock – Singapura.

Desde 1965 que Singapura tem crescido muito rapidamente e, com poucos recursos e muita inovação, tornámo-nos numa das cidades mais livres e desenvolvidas da Ásia, passando de uma cidade do terceiro mundo para o primeiro mundo em apenas uma geração.

Este desenvolvimento foi possível através de parcerias com entidades públicas e privadas e, para tal, implementámos dois grandes planos:

Plano de Conceito, juntamente com as Nações Unidas, no qual identificámos as infraestruturas básicas e as planeámos a 50 anos.

Plano Diretor 2008 – Que nos permitiu planear a cidade de acordo com as suas diferentes densidades.

Sam Adams – Portland

Neste momento, trabalho para uma ONG que desenvolve projetos de inovação cívica. Mas, anteriormente, participei na gestão da cidade e pude comprovar a falta de coordenação das diferentes unidades de governo que tínhamos e o quão pouco eficientes eram.

Este foi o primeiro desafio que enfrentámos há alguns anos e foi o motivo para criar o Plano de Portland. Envolvemos as 25 unidades administrativas, o setor privado e as universidades. Isso permitiu-nos saber onde estávamos e quais eram as tendências urbanas do futuro.

Este Plano foi desenvolvido durante 2 anos e foi dividido em 9 áreas de ação a 25 anos, mas dividido em fases de 5 anos. Incluímos aspetos da cidade, educação, saúde… A partir destas áreas, planeámos os diferentes níveis de governo e permitiu-nos melhorar o planeamento e a habitabilidade da cidade.

Sylvie Spalmacin-Roma – IBM

A IBM lançou em 2008 a iniciativa Smart Cities como uma grande aposta corporativa, mas que se tornou uma oportunidade de mercado em poucos anos, como está a acontecer.

A tecnologia estava madura para ajudar no desenvolvimento das cidades e colocá-la nas mãos dos líderes políticos.

Pudemos constatar o crescimento e a aceleração dos mercados não só em países em desenvolvimento, mas também em países do primeiro mundo.

Neste momento, o espaço público está a reduzir-se e já não faz sentido continuar a crescer com mais infraestruturas. Chegou o momento de novas formas inovadoras para continuar a avançar.

Smart Cities da IBM não se trata apenas de uma visão, mas sim de uma oportunidade de mercado na qual desenvolvemos mais de 1.000 experiências piloto, como no Rio de Janeiro. IBM – Centro de operações inteligentes é a aplicação estrela que temos e desenvolvemos para as cidades, no entanto, é necessário que, juntamente com a tecnologia, o cidadão e as associações comecem a interiorizar o potencial das tecnologias para a sua cidade.

A cidade que conseguir unir estes dados com a colaboração e um novo quadro de governação é o que fará de uma cidade uma Smart City.

Amitabh Kant – Nova Deli.

A Índia está a experimentar um crescimento exponencial, que está a desembocar num novo processo de urbanização.

O território está virgem e é preciso evitar reproduzir os erros de países desenvolvidos. É preciso seguir um modelo com uma baixa pegada de carbono.

Para nós, é muito importante que países como a Índia marquem as tendências de futuro, mas o desafio não está na tecnologia, mas sim nas pessoas e em questões como a educação, a saúde…

O nosso projeto Smart é o primeiro à escala global de uma integração global da cidade, trabalhamos de mãos dadas com a IBM, fazemos convergir diferentes entidades com o planeamento e o desenvolvimento urbano.

A tecnologia deve ser a um preço acessível e a um preço sensato, como aconteceu com a penetração do telefone inteligente no nosso mercado indiano.

O importante é não repetir os erros que se produziram no mundo desenvolvido.

 

Nicholas Brooke – Hong Kong

Em 1997, tornámo-nos numa região especial na China, temos uma infraestrutura “branda” e que, de momento, é sustentável, no entanto, temos as mesmas limitações que Singapura. A nossa população por km quadrado é uma das mais elevadas do planeta.

Os nossos desafios: somos uma comunidade vertical, a densidade é um desafio claro, queremos abordar os problemas de qualidade do ar, o outro aspeto é lidar com o envelhecimento, é interessante ver como podemos permitir envelhecer melhor.

Em relação à China, temos problemas importantes de acesso à habitação e estamos a pagar as consequências de um crescimento desordenado.

O que foi construído nos últimos 20 anos não respeitou os standards e teremos de reverter esta situação, assim como fazer face aos problemas da propriedade. Por último, em Hong Kong, antes de 1997, toda a gente estava de passagem e é preciso desenvolver essa sensação de pertença para que se impliquem nas questões de futuro.

Antonio Alfonso – FCC

Somos líderes na prestação de serviços inteligentes: gestão de resíduos, ciclo da água. Trabalhamos no desenvolvimento urbano e, em muitas ocasiões, somos a ligação entre o cidadão e a administração.

A nossa liderança baseia-se na nossa experiência e na inovação que levamos a cabo.

Há 20 anos que começámos a desenvolver o veículo elétrico e temos a maior frota da Europa impulsionada por gás e eletricidade.

 

Debate.

Cristiana Fragola – C40:Temos um painel com oradores de diferentes âmbitos, centro-me na opinião das cidades e, depois, com as empresas. A falta de território é um desafio para Singapura, mas a que outros desafios se enfrentam as cidades?

Larry lye Hock – Singapura: o aumento demográfico supõe um importante aumento de pressão às infraestruturas existentes e o acesso a recursos como a água. Precisamos de mais solo para dar resposta ao crescimento atual, fazemo-lo de maneira criativa e apostamos no crescimento vertical para cima e para baixo. Apostámos em novas redes de distribuição e saneamento de água a muita profundidade.

Sam Adams – Portland: Antes das TIC e das Samrt Grids, as redes inteligentes têm de se centrar na gestão e comunicação inteligente. Outro desafio é o planeamento baseado em boa informação e ir incorporando todos os atores, não só especialistas, mas sim entidades de carácter social da cidade. É necessário facilitar a participação de qualquer pessoa no design da cidade.

Amitabh Kant – Nova Deli: o modelo de desenvolvimento urbano americano está morto, o importante em qualquer cidade é o planeamento urbano. O segundo desafio é que a era do planeamento vertical também está morta, é preciso trabalhar num planeamento horizontal.

Nicholas Brooke – Hong Kong: Outro desafio para as cidades é o aumento do veículo, as cidades na China foram desenhadas em torno das estradas, com um débil modelo de transporte público. Em relação à densidade, temos problemas no sistema de habitação, é um desafio o plano de alojamento.

 

Sylvie Spalmacin-Roma – IBM: Todos estamos a falar do mesmo, oferecer melhores serviços aos cidadãos, e podem viver na cidade se tiverem uma boa qualidade de vida e um desenvolvimento económico positivo.

Infelizmente e muito frequentemente, inovação e tecnologia são utilizadas por cidades ou regiões para solucionar um problema extremo de viabilidade urbana.

É importante a recolha e gestão de dados em tempo real. Os dados convertem-se num recurso mais e servem para melhorar a eficiência da gestão. Na IBM, falamos de que os dados são o próximo recurso natural. As cidades estão muito instrumentalizadas e podemos recolher dados e geri-los de maneira integral.

Antonio Alfonso – FCC: os desafios estão claros, mas nas cidades maduras temos outros desafios às cidades em desenvolvimento. No entanto, há um desafio comum a todas as cidades: a sustentabilidade económica e financeira.

Apesar de toda a tecnologia existir e ser acessível, infelizmente requer uns investimentos consideráveis, inclusive desde quando se começa do zero. Há duas questões importantes para esta sustentabilidade, por um lado, o quadro legal deve existir e facilitar o investimento privado, para permitir desembolsos a longo prazo. Por outro lado, devemos assegurar que os custos externos da gestão do Big-Data se incluem nesta equação. O modelo económico, no final, é a chave do sucesso da cidade do futuro.

 

Cristiana Fragola – C40: Outra questão, na agenda política existe um consenso entre a integração de urbanistas, TiC e empregados públicos. A Smart City deve centrar-se nesta integração. ¿Poderiam acrescentar outra variável a esta integração em relação aos desafios da cidade?

Larry lye Hock – Singapura: temos um debate importante em torno do aumento da população até 2030. Estamos a planear por adiantado.

Sam Adams – Portland: é também necessário estabelecer os objetivos da cidade na qual te queres converter e, por outro lado, os serviços públicos são tão importantes que qualquer investimento deve aportar novos benefícios.

Amitabh Kant – Nova Deli: um líder político deve ter uma visão de futuro e esta visão deve ser tecnologicamente pioneira. Mas é importante ser consciente de que a tecnologia não é a solução última. O desafio está em desenvolver a criatividade tecnológica, a criatividade económica e a criatividade artística e cultural.

Nicholas Brooke – Hong Kong: Faz falta o sentido de pertença comunitária. Trabalhamos muito em vender o projeto à comunidade, para que o façam seu. Temos de trabalhar muito para mudar a mentalidade NIY Hong-kong e avançar na colaboração público-privada.

Sylvie Spalmacin-Roma – IBM: O cidadão também pode contribuir de uma maneira muito efetiva com a tecnologia disponível a obter serviços da cidade, ou seja, até agora estávamos acostumados à análise dos dados provenientes de sensores, mas agora todos temos telefones inteligentes com os quais podemos fazer chegar às autoridades os problemas da cidade e podemos criar uma resposta da autoridade pública. São dados observacionais. A outra análise que é preciso ter em conta é a analítica em redes sociais, gera-se opinião em positivo e negativo de um tema da cidade, desde a IBM estamos a implicar o gestor público em aproximar-se e entender esta comunicação em redes sociais. A combinação destas três camadas de dados é uma proposta de decisão e ação.

Em relação aos termos de modelo de negócio, desde o setor privado, muitas empresas tiveram de se transformar para poder seguir com a sua atividade empresarial, reduzindo os seus custos. Ao trasladar esta gestão ao espaço público, encontramos exemplos nos quais se torna inassumível a gestão de determinadas infraestruturas, a incorporação das TIC pode oferecer soluções inovadoras que podem rentabilizar estas infraestruturas.

Antonio Alfonso – FCC: devemos ser transparentes nos modelos de negócio de investimentos na cidade e dar a conhecer o que supõem os investimentos, o custo dos mesmos e a sua viabilidade a longo e médio prazo.