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Previsões para a Internet das Coisas. Estaremos preparados?

A IOT continua a desenvolver-se a grande velocidade, como era de esperar. Os analistas têm previsto que os dispositivos de Internet das Coisas crescerão desde os 10 mil milhões de dispositivos cone...

A IOT continua a desenvolver-se a grande velocidade, como era de esperar. No entanto, é necessário começar a estabelecer análises de diversos pontos de vista para avaliar a sua evolução na devida medida. Partimos do princípio de que tem sido normalmente reconhecida como uma fonte de crescimento para a indústria de semicondutores e seus clientes, mas também seria interessante avaliá-la quanto às oportunidades e limitações que possa representar para os fabricantes de componentes. Conscientes deste potencial, na Logitek há muito que trabalhamos nessa linha, sobretudo desde que se formalizou a aposta na tecnologia Sigfox.

As mais recentes inovações e os dados que se retiram de estudos recentes reafirmam-nos na certeza de que o caminho empreendido é o adequado

Até onde pode chegar a IoT?

A indústria de semicondutores foi capaz de superar as consequências da crise financeira mundial devido, em parte, ao boom dos smartphones e tablets, que representaram uma maior procura de aplicações móveis e sem fios. A média anual de crescimento da indústria entre 2010 e 2013 foi de aproximadamente 5 por cento. Poderá verificar-se uma percentagem de crescimento semelhante como resultado da adoção generalizada da Internet das Coisas? Seria necessário analisar diversos aspetos:

A Internet das Coisas refere-se à interconexão de objetos físicos através da utilização de sensores integrados, atuadores e outros dispositivos que podem recolher e transmitir informações sobre os objetos. Os dados acumulados destes dispositivos podem ser analisados para otimizar os produtos, serviços e operações. Talvez uma das aplicações mais antigas e mais conhecidas deste tipo de tecnologia tenha sido na área de otimização da energia: sensores implementados em toda a rede elétrica podem ajudar a monitorizar remotamente a utilização de energia e a ajustar os fluxos de geração e distribuição nas horas de ponta ou nos tempos de paragem.

No entanto, as aplicações também estão a ser introduzidas noutras indústrias. Algumas companhias de seguros, por exemplo, agora oferecem planos que exigem que os condutores instalem um sensor nos seus carros, o que permite às seguradoras basear os prémios sobre a conduta de condução sobre dados reais em vez de projeções. Assim como os médicos podem utilizar a informação obtida de sensores sem fios nas casas dos seus pacientes para melhorar a sua gestão das doenças crónicas.

 

Dados concretos, segundo o Instituto Global McKinsey de investigação: Através de um acompanhamento contínuo em vez de testes periódicos, os médicos poderiam reduzir os seus custos de tratamento entre 10 e 20 por cento. O que se traduz na poupança de centenas de milhões de dólares apenas em pacientes com problemas de insuficiência cardíaca.

Em cada um destes casos, os dispositivos conectados que transmitem informações através das redes pertinentes baseiam-se nas inovações de designs de semicondutores com microchips integrados e nas funções próprias de certas aplicações. As empresas de semicondutores que possam desenvolver estas e outras inovações para fabricantes de equipamentos e dispositivos originais terão muito terreno ganho. Este mercado, com toda a certeza, desempenhará um importante papel no crescimento para os “players” de semicondutores.

De facto, segundo um inquérito realizado a executivos de empresas de semicondutores em junho de 2014, estes afirmaram que a Internet das Coisas será a fonte mais importante de crescimento para eles nos próximos anos, mais importante, por exemplo, do que as tendências em conexões sem fios ou Big Data.

A investigação realizada pela McKinsey Global Institute apoia essa crença, estimando que o impacto da Internet das Coisas na economia global poderá ser tão alto como 6200 mil milhões de dólares no ano 2025. Ao mesmo tempo, os diretores das empresas inquiridas admitem que carecem de uma perspetiva clara das oportunidades concretas de negócios na Internet das Coisas, dada a amplitude das aplicações que se estão a desenvolver, os diversos mercados potenciais quanto a consumidores, além de o facto de que a tendência ainda é incipiente.

O impulso definitivo?

Há três anos, especialistas da indústria e analistas previram que, em 2020, o mercado dos dispositivos conectados seria de entre 50 mil milhões e 100 mil milhões de unidades. Atualmente, a previsão não é tanta, mas ainda está nuns nada desprezíveis 20 mil milhões a 30 mil milhões de unidades. Esta estabilização das expectativas está em linha com o que temos visto nas últimas introduções de novas tecnologias. Ao longo da década de 1990 e princípios de 2000, por exemplo, houve muita discussão na indústria de semicondutores sobre os benefícios potenciais e as implicações da tecnologia Bluetooth, mas o ponto de inflexão para o Bluetooth não chegou até 2003 ou 2004, quando um número suficientemente grande dos integrantes da indústria o adotaram como um padrão e impulsionaram o desenvolvimento de novos dispositivos e aplicações baseadas em Bluetooth no mercado. O mercado de Internet das Coisas quanto a dispositivos, produtos e serviços parece estar a acelerar-se para um ponto de inflexão semelhante se tivermos em conta quatro indicadores-chave:

 

Atenção de fornecedores: Ferramentas e produtos de IOT já estão disponíveis para desenvolvedores. A Apple, por exemplo, lançou ferramentas HealthKit e desenvolvedores HomeKit como parte da sua mais recente atualização do sistema operativo, e a Google adquiriu a Nest para catalisar o desenvolvimento de uma plataforma de Internet das Coisas.

  1. Os avanços tecnológicos. Alguns dos componentes de semicondutores que são fundamentais para a maioria das aplicações de Internet das Coisas estão a mostrar-se muito práticos e funcionais com preços mais baixos. Processadores mais recentes, como o ARM Cortex M, utilizam apenas cerca de uma décima parte da potência que os processadores de 16 bits mais energeticamente eficientes que se empregavam há apenas dois anos. Um exemplo: este salto na capacidade tecnológica é muito evidente na evolução do mercado para os relógios inteligentes. O primeiro destes produtos lançados em 2012 gabava-se de utilizar processadores individuais de 400 megahertz e simples acelerómetros de três eixos. Agora, um relógio inteligente típico inclui processadores de duplo núcleo de 1 gigahercio e dispositivos de seis eixos que combinam giróscopos e acelerómetros. Paralelamente, os preços dos conjuntos de chips utilizados nestes produtos diminuíram 50 por cento durante os últimos dois anos (25% a cada ano).
  1. O aumento da procura: A procura da primeira geração de produtos de Internet das Coisas (wearables de fitness, relógios inteligentes e termóstatos inteligentes, por exemplo) evoluirá e melhorará em tecnologias ao mesmo tempo que diminuirá o seu custo. Uma dinâmica semelhante ocorreu com o aumento do uso dos smartphones. A procura de telefones aumentou desde os 170 milhões de dispositivos vendidos anualmente há apenas quatro ou cinco anos para mais de mil milhões de dispositivos em 2014. O aumento dos pedidos coincidiu com uma forte queda no preço dos componentes de smartphones.
  1. Nova legislação. Durante os últimos dois anos, os players de semicondutores uniram as suas forças com empresas de hardware, software ou redes e com um número de associações industriais e consórcios empresariais para desenvolver normas formais e informais para as aplicações de IOT: AT & T, Cisco, GE, IBM e Intel, por exemplo, foram cofundadores do Consórcio Industrial de Internet, cujo principal objetivo é estabelecer padrões de interoperabilidade em ambientes industriais para que se possa aceder e partilhar de forma mais fiável os dados sobre máquinas e instalações. Outros grupos focaram-se na estandardização das interfaces de programação de aplicações (API) que permitem os comandos básicos e a transferência de dados entre os dispositivos de Internet das Coisas.

O que representará tudo isto para os players de semicondutores?

Os analistas têm previsto que os dispositivos de Internet das Coisas crescerão desde os 10 mil milhões de dispositivos conectados atualmente para um máximo de 30 mil milhões de dispositivos em 2020, com um crescimento de cerca de 3 mil milhões de dispositivos novos por ano. Cada um destes dispositivos requererá, no mínimo, um microcontrolador para adicionar inteligência ao dispositivo, um ou mais sensores para permitir a recolha de dados, um ou mais chips para permitir a conectividade e transmissão de dados e um componente de memória. Para os players de semicondutores, isto representa uma oportunidade de crescimento direto que vai muito mais além de quase todas as outras recentes inovações, com a exceção, talvez, dos smartphones.

São dados que terão de ser confirmados com factos. Na Logitek fazemos parte do ecossistema de facilitadores de soluções SIGFOX ReadyTM e ampliamos as nossas soluções de recolha de dados e análise em tempo real com a nova conectividade SIGFOX. Para o que possa suceder nos próximos anos e respondendo à pergunta que formulamos no título deste post, SIM, ESTAMOS PREPARADOS.