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Quão proativa e eficiente é a minha estratégia de manutenção?

Para poder implementar uma estratégia de manutenção integral, é necessário conhecer a pirâmide de maturidade da manutenção e saber aplicar cada nível de manutenção de acordo com a criticida...

Asset Performance Management (APM) Solutions Manager. Becolve Digital

No presente contexto industrial, cada vez tem maior relevância o quão eficientes são as estratégias que aplicamos nos diferentes âmbitos que compõem uma organização. A eficiência e a proatividade nas organizações são fundamentais para reduzir os tempos de execução dos processos empresariais, bem como os tempos de análise para a tomada de decisões estratégicas que, como consequência última, têm um importante impacto económico nas finanças.

Um dos âmbitos que a cada dia aumenta mais a sua relevância a nível empresarial e que tem um impacto direto na eficiência de uma fábrica, é o âmbito da manutenção. Por isso, neste artigo vamos concentrar-nos em determinar que grau de proatividade e eficiência me confere a estratégia de manutenção que estou a aplicar e como posso aumentá-las.

Pirâmide de maturidade

O objetivo final dos departamentos de manutenção é implementar uma estratégia de manutenção que permita aumentar a disponibilidade, segurança e fiabilidade dos ativos ao menor custo possível.

E hoje em dia, graças às novas tecnologias disponíveis como o IIoT, a Inteligência Artificial, o Machine Learning, as tecnologias cloud, a gestão do Big Data e muitas outras, permite às organizações otimizar a sua estratégia de manutenção ao mesmo tempo que reduzem os custos tanto de manutenção como de operações.

Para poder implementar uma estratégia de manutenção integral, é necessário conhecer a pirâmide de maturidade da manutenção e saber aplicar cada nível de manutenção de acordo com a criticidade do ativo e o seu impacto no negócio.

pirâmide de maturidade na manutenção

Pirâmide de maturidade na manutenção

 

  • O primeiro e mais básico nível é a manutenção reativa, a qual consiste em não realizar nenhuma ação de manutenção ao ativo e apenas realizar uma manutenção corretiva ao mesmo em caso de falha ou avaria. Esta estratégia de manutenção deve ser aplicada àqueles ativos não críticos cujo impacto imediato em caso de falha é irrelevante ou nenhum na segurança ou disponibilidade e os custos de reparação ou substituição são baixos.
  • No segundo nível encontramos a manutenção preventiva. Poder-se-ia considerar a primeira fase para uma manutenção proativa e eficiente. Os programas de manutenção preventiva baseiam-se em executar ações de manutenção preventiva nos equipamentos com o objetivo de tentar detetar e evitar uma possível avaria antes que ocorra. Estes programas de manutenção baseiam-se na execução de manutenções planeadas com base no tempo ou segundo estatísticas operacionais dos equipamentos. Estes programas de manutenção são geridos com ferramentas GMAO (Gestão da Manutenção Aplicada por Computador). Se quiser aprofundar estas ferramentas, pode ler o artigo “O que é e para que serve um GMAO?”.

Segundo vários estudos realizados por diferentes empresas especialistas em manutenção, apenas 18% das avarias estão relacionadas com o envelhecimento, a idade dos ativos ou o uso. Por outras palavras, com um programa de manutenção preventiva só poderemos tentar mitigar aproximadamente 18% de avarias que os nossos ativos podem sofrer.

Para poder reduzir ao mínimo possível os 82% restantes das avarias que os ativos sofrem, é necessário aplicar estratégias de manutenção como a Manutenção Baseada na Condição (CBM) ou a Manutenção Preditiva (PdM).

1. Manutenção Baseada na Condição (CBM).

A Manutenção Baseada na Condição (CBM) é uma estratégia de manutenção altamente proativa e eficiente para mitigar aquelas avarias nos equipamentos que dispomos de parâmetros mensuráveis e que sabemos quando o desvio dos mesmos indica um problema iminente.

Esta estratégia de manutenção está focada na condição atual de operação dos ativos, de tal forma que será o ativo que nos indicará quando requer uma atuação de manutenção. Para implementar esta estratégia é necessário definir as condições operativas que requererão umas ações de manutenção específicas.

Estas condições serão definidas mediante a implementação de lógicas baseadas em regras, as quais não mudarão segundo a carga ou as condições ambientais e operativas. Graças às tecnologias hoje em dia existentes, é possível automatizar esta estratégia obtendo os dados de campo em tempo real e gerando solicitações ou ordens de trabalho automaticamente ao cumprir-se a condição, obtendo assim uma abordagem mais proativa e eficiente.

2. Manutenção Preditiva (Pdm).

Num nível superior, encontramos a Manutenção Preditiva (PdM) para os ativos mais críticos e complexos das organizações. Graças a esta estratégia de manutenção poderemos resolver a pergunta “O que acontecerá?”, em vez de nos realizarmos as perguntas “Por que aconteceu?” ou “O que está a acontecer?”.

Os softwares de análise preditiva permitem gerar modelos do comportamento ótimo do nosso ativo com base nos seus próprios dados históricos, independentemente de quais sejam as condições ambientais, de carga ou processos operativos. Posteriormente, estes softwares analisam os dados recolhidos pela sensorização do equipamento em tempo real e comparam-nos com os dados do modelo mediante técnicas analíticas avançadas de modelização.

Quando se produzem desvios subtis e impercetíveis pelo ser humano entre os dados em tempo real e os dados do modelo do comportamento esperado, o software gera um alerta. Este alerta precoce indicará a possibilidade de uma avaria futura e graças às capacidades analíticas do software em diagnóstico de falhas e análise causa raiz ajudará os utilizadores a analisar e programar a resolução do desvio antes que se converta num problema grave que afete as operações da organização.

2. Manutenção Baseada no Risco (RBM).

Finalmente, no último nível encontramos a Manutenção Baseada no Risco (RBM). Esta é uma estratégia de manutenção integral, a qual permite às organizações ir mais além da prevenção de avarias e alcançar a otimização de toda a organização na abordagem e estratégias aplicadas a cada ativo segundo a sua criticidade.

Em definitiva, este tipo de soluções permitem às organizações simular diferentes cenários de estratégias de manutenção para determinar qual ou quais são as melhores estratégias (anteriormente descritas nos anteriores níveis) a aplicar em cada um dos ativos da organização segundo as suas políticas empresariais.

manutenção preditiva

Esta solução permite às organizações compreender que ativos são mais críticos para alcançar os seus objetivos comerciais e assim colocar o foco de atenção sobre os mesmos, realizando nos mesmos uma supervisão mais rigorosa e prioritária. A implementação desta estratégia integral de manutenção permitirá às organizações alcançar a excelência nas diferentes estratégias de manutenção, sendo assim altamente proativas e eficientes.

Como apontamento, gostaria de destacar que esta pirâmide não nos indica os passos a seguir para chegar a obter a estratégia de manutenção mais proativa e eficiente na nossa organização, mas unicamente nos indica os diferentes níveis de maturidade em manutenção de uma organização. Com isto, quero dizer que, se atualmente nos encontramos em que unicamente temos implementada uma estratégia de manutenção preventiva, não temos por que subir nível a nível.

Há organizações que antes de implementar nenhuma estratégia das anteriormente descritas, preferem realizar estudos de Manutenção Baseada em Risco para determinar que estratégia de manutenção aplicarão a cada ativo, e posteriormente, investir nas soluções tecnológicas requeridas para alcançar os seus objetivos de fiabilidade e disponibilidade.

Conclusão

Atualmente, muitas organizações estão a aplicar unicamente uma estratégia de manutenção preventiva, o qual lhes ajuda a mitigar aproximadamente 18% das avarias que podem sofrer os seus ativos. Esta estratégia por si só não é eficiente, e deve ser complementada com estratégias como a Manutenção Baseada na Condição (CBM) e a Manutenção Preditiva (PdM) para poder prevenir o máximo número de avarias possíveis e ser assim mais proativos e eficientes. No entanto, para alcançar a excelência na manutenção é necessário implementar uma estratégia integral como a Manutenção Baseada em Riscos, podendo assim determinar que estratégia de manutenção é mais ótima para cada ativo segundo a sua criticidade e impacto económico para a organização.

Finalmente, podemos concluir que não se trata de escolher uma estratégia ou outra, mas de implementar a estratégia, ou estratégias, que requeira cada ativo na nossa organização para obter o máximo retorno do investimento de cada um deles.